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Como o fenômeno “El Niño” pode impactar o mercado de seguros no Brasil

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Como o fenômeno “El Niño” pode impactar o mercado de seguros no Brasil

O Brasil enfrenta, para o segundo semestre de 2026, a perspectiva de um novo episódio do El Niño – o grande responsável pelas enchentes no Rio Grande do Sul em 2024. As previsões deste ano, no entanto, apontam que o evento meteorológico terá uma intensidade superior ao ano anterior, o que, para o setor de seguros, acende alertas em múltiplos ramos.

O impacto do El Niño sobre o setor securitário não é novidade. O agronegócio é historicamente o mais afetado pelos eventos climáticos associados ao fenômeno, e o pagamento de indenizações no ramo do seguro rural vem se mostrando crescente a cada ciclo. Todavia, essa exposição vai além da área rural. As chuvas acima da média também tendem a aumentar a frequência de sinistros residenciais e automotivos, ampliando a pressão sobre as seguradoras.

O efeito financeiro pode ser mais significativo do que aparenta à primeira vista. Especialistas estimam que cada aumento de 100 pontos-base no índice de sinistralidade pode reduzir em cerca de 1% os lucros das seguradoras. Historicamente, os índices de sinistralidade nos seguros residenciais e rurais aumentaram entre 2 e 3 pontos percentuais nos ciclos deste fenômeno registrados na última década. Previsto para ser mais intenso que os ciclos anteriores, o El Niño de 2026 deve ampliar consideravelmente essa pressão sobre o setor.

No ramo rural especificamente, o desafio é estrutural. O setor securitário começa a considerar novas variáveis para a equação de riscos, sendo necessária uma gestão estruturada para atender à alta demanda por indenizações. Ferramentas como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) e o Registro Nacional de Sinistros do Seguro Rural (RNS Rural) têm sido utilizadas para aprimorar a subscrição de riscos, a precificação e a prevenção a fraudes.

Do ponto de vista jurídico, episódios de alta sinistralidade de maneira concentrada tendem a intensificar a litigiosidade no setor. Nos próximos ciclos, discussões sobre o enquadramento de eventos climáticos nas coberturas contratadas, aplicação de cláusulas de exclusão relacionadas a fenômenos naturais e os critérios de regulação de sinistros rurais devem ganhar relevância. Para segurados e seguradoras, o momento reforça a importância de apólices bem redigidas e da compreensão precisa dos limites de cobertura.

Fontes:  Globo Rural | ExameCNSEG

 

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