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Tragédias climáticas reacendem discussão sobre seguro nacional para catástrofes

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Tragédias climáticas reacendem discussão sobre seguro nacional para catástrofes

As recentes chuvas que atingiram o Sudeste voltaram a expor a vulnerabilidade de municípios brasileiros diante de eventos climáticos extremos. Em Juiz de Fora (MG), temporais registrados desde o início da semana provocaram dezenas de mortes, deixaram desaparecidos e milhares de pessoas desalojadas. O município teve situação de calamidade pública reconhecida pelo Governo Federal, enquanto estruturas públicas, como escolas, passaram a funcionar como abrigos emergenciais.

Em São Paulo, a Defesa Civil mantém alertas para o litoral diante do risco de novos alagamentos e deslizamentos. O cenário não é isolado: episódios de grande intensidade têm se tornado mais frequentes em diversas regiões do país.

Diante desse contexto, o setor de seguros voltou a defender a criação de um modelo estruturado de cobertura para catástrofes naturais. A proposta ganhou relevância na agenda regulatória e integra as prioridades da Superintendência de Seguros Privados (Susep) para 2026. A autarquia avalia alternativas que permitam ampliar a proteção contra riscos climáticos e reduzir a exposição financeira de famílias, empresas e do próprio Estado.

Estudos do mercado indicam que a quantidade de eventos climáticos registrados anualmente no Brasil aumentou de forma significativa nos últimos anos. Apesar disso, o nível de cobertura securitária permanece limitado. A maior parte das residências brasileiras não possui seguro, e parcela relevante das perdas decorrentes de enchentes, deslizamentos e vendavais continua sendo absorvida diretamente pelos atingidos ou pelo orçamento público.

Dados recentes apontam que os prejuízos econômicos associados a desastres naturais somaram cifras bilionárias nos últimos anos, mas apenas uma pequena fração desses valores foi indenizada por seguradoras. Em episódios de grande proporção, a diferença entre o custo estimado de reconstrução e o montante pago em indenizações evidencia uma lacuna expressiva de proteção privada.

No mercado brasileiro, seguros residenciais e empresariais geralmente oferecem como cobertura básica incêndio, queda de raio e explosão. Danos provocados por enchentes, alagamentos ou desmoronamentos costumam depender de contratação específica e podem estar sujeitos a limites de indenização, franquias e exclusões contratuais.

Para especialistas do setor, um modelo nacional de seguro para catástrofes poderia funcionar como instrumento de gestão de risco, contribuindo para maior previsibilidade financeira e resposta mais rápida em situações de calamidade. O debate ainda está em fase inicial, mas tende a ganhar força à medida que eventos extremos se tornam mais recorrentes no país.

 

Fonte: https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/seguro-catastrofe-apos-inundacoes-em-mg-e-sp-entidades-defendem-modelo-nacional/

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