
Em um contexto econômico ainda marcado por incertezas e por ajustes no ambiente tributário, os dados da Conjuntura CNseg nº 130 oferecem uma leitura inequívoca: o setor segurador brasileiro segue desempenhando um papel central na estabilidade econômica e na proteção financeira da sociedade. Até novembro de 2025, o mercado devolveu R$ 243,8 bilhões em indenizações, benefícios e resgates, resultado que, por si só, evidencia solidez financeira, capacidade operacional e compromisso contratual.
A queda de 4,7% na arrecadação, restrita essencialmente à Previdência Aberta, não indica fragilidade estrutural do setor. Ao contrário, reflete um efeito pontual de política tributária, a incidência de IOF sobre aportes elevados em planos VGBL, que alterou temporariamente o comportamento dos investidores. Trata-se menos de uma crise de demanda e mais de um ajuste induzido por mudanças regulatórias, sem contaminação dos demais segmentos.
Esse diagnóstico é reforçado pelo desempenho consistente das outras linhas de negócio. Os seguros de Danos e Responsabilidades, os Seguros de Pessoas e a Capitalização mantiveram trajetória de crescimento, demonstrando diversificação, resiliência e aderência às necessidades de proteção patrimonial, empresarial e familiar em um ambiente econômico mais volátil.
Sob a ótica jurídica e institucional, o conjunto dos dados reafirma o setor segurador como uma infraestrutura essencial de gestão de riscos, capaz de absorver choques, preservar renda e garantir previsibilidade às relações econômicas. Mesmo diante de maior complexidade fiscal e regulatória, o mercado demonstra maturidade, governança e capacidade de adaptação, características indispensáveis para a estabilidade do sistema financeiro e para o desenvolvimento econômico de longo prazo.