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Seguro paramétrico: quando o pagamento não depende da comprovação do prejuízo

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Seguro paramétrico: quando o pagamento não depende da comprovação do prejuízo

No seguro tradicional, a indenização normalmente depende da apuração do dano sofrido. No seguro paramétrico, a lógica é diferente. O pagamento depende do atingimento de um gatilho previamente definido no contrato. Não é o prejuízo que dispara a indenização, mas o parâmetro escolhido pelas partes.

Quais podem ser esses gatilhos?

O contrato pode utilizar indicadores objetivos, como volume de chuva, temperatura, velocidade do vento, nível de rios e outros índices previamente definidos. Se o parâmetro for atingido, aplica-se a regra prevista na apólice.

Onde surge o risco de base

O chamado risco de base (basis risk) ocorre quando existe um descompasso entre o indicador utilizado pelo contrato e o prejuízo efetivamente sofrido pelo segurado. Nem sempre os dois caminham juntos.

Imagine um produtor rural que contratou um seguro baseado no índice de chuva medido por uma estação meteorológica. Mesmo sofrendo perdas na lavoura, ele poderá não receber indenização se o volume de chuva registrado não atingir o gatilho previsto na apólice. O contrário também pode acontecer, quando o gatilho é acionado mesmo que o prejuízo seja menor do que o esperado.

Quanto maior a distância entre o parâmetro contratado e o risco real, maior a possibilidade de divergências na interpretação do contrato, discussões sobre a alocação dos riscos e questionamentos sobre a adequação da cobertura às necessidades do segurado.

A segurança começa na redação da apólice

Um seguro paramétrico bem estruturado deve definir com clareza qual será o indicador utilizado, qual a fonte oficial da informação, qual período será considerado, qual região será analisada e como será calculado o pagamento. Quanto mais preciso o gatilho, menor a chance de disputas futuras.

O seguro paramétrico substitui o seguro tradicional?

Nem sempre. Em muitos casos, ele funciona como uma solução complementar para riscos em que indicadores objetivos permitem respostas mais rápidas e previsíveis do que a apuração individual dos danos.

A inovação exige contratos bem estruturados. No seguro paramétrico, a principal discussão muitas vezes não é quanto será pago. É saber se o gatilho escolhido realmente representa o risco que se pretende proteger.

Fontes: FSI/IAISInfoMoney


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