
O mercado brasileiro de seguro de transporte de cargas inicia 2026 com projeção de crescimento de 6,6%, segundo estimativas da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). O avanço, contudo, ocorre em um ambiente significativamente mais rigoroso e complexo, marcado pela consolidação da fiscalização digital, pelo aumento estrutural dos riscos logísticos e pela elevação das exigências contratuais no comércio internacional.
A consolidação da fiscalização digital redefiniu o papel do seguro na operação de transporte. A integração dos sistemas regulatórios passou a permitir o cruzamento automático entre apólices, documentos fiscais e registros operacionais, tornando o seguro um requisito permanente de regularidade da atividade. Divergências de vigência, valores segurados ou enquadramento operacional deixaram de ser falhas latentes e passaram a representar risco imediato de autuação e restrição operacional.
Paralelamente, observa-se um aumento estrutural do risco logístico. A maior concentração de valor por embarque, a deterioração da infraestrutura rodoviária, a recorrência de eventos climáticos extremos e a ampliação da subcontratação, especialmente com transportadores autônomos, elevam tanto a severidade potencial dos sinistros quanto a exposição a negativas de cobertura por falhas técnicas, descumprimento do Plano de Gerenciamento de Risco (PGR) ou desalinhamento entre apólice e operação real.
O cenário é agravado por fatores como roubo de cargas, deterioração da infraestrutura rodoviária, eventos climáticos extremos e maior concentração de valor por embarque. Soma-se a isso o impacto do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que amplia o fluxo de cargas, mas impõe padrões técnicos, contratuais e de governança mais elevados, além da incorporação progressiva de critérios ESG na subscrição de riscos.
Nesse contexto, especialistas destacam que tratar o seguro como formalidade ou custo obrigatório amplia o risco de rupturas operacionais. Em 2026, a apólice passa a ser instrumento estratégico de proteção financeira, compliance e continuidade dos negócios, diferenciando operações estruturadas daquelas mais vulneráveis.
Fonte: https://revistaapolice.com.br/2026/01/abertura-comercial-expoe-a-maturidade-do-seguro-de-transporte/